Episódio da Quinta

By analudwig

- Vamos brigar de pé?

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Em segundos as duas tinham se livrado do “ringue” de travesseiros e os pés nus se apoiavam no tapete felpudão. Tetê por meio segundo deu boa olhada nos seios da outra: uns dois dedos maiores que os seus, calculou, e por um segundo em sua cabecinha passou que essa brincadeirinha poderia doer. Mais não pensou pois Lilica enfiou as mãos no vão entre a blusa e calça do seu pijaminha, segurou-a firme dos dois lados quase a machucar, e deu um golpe seco fazendo Tetê sentir os cabelos da amiga a quase entrar no seu nariz, o cheiro de Kolynos da boca da outra a cinco dedos de distância, e principalmente o impacto da ponta dos seios da outra mulher nos próprios seios. Sentiu um choque de meio segundo, seguido de um torpor formiguento, desagradável. Pela primeira vez Tetê sentiu dor.

 

Ficou em dúvida se ria, ou se ria e reclamava, mas Lilica não lhe deu tempo de pensar. Afundando mais os dedos em sua cintura, afastou-a e a aproximou de novo, e de novo. Tetê rompeu o clinche e fez o que queria, pegou nos próprios seios e riu meio-careta para disfarçar a dor. Dói, Lilica!

 

- Deixa de ser mole! – gritou Soraia. As outras fizeram corinho: Con-ti-nu-a, Con-ti-nu-a!

 

As duas estavam de clinche rompido, Tetê até meio voltada rindo para as outras, quando Lilica a pega no ombro, se aproxima, Tetê pensa que a amiga quer lhe dar um abraço e acabar com aquilo, mas Lilica com cuidado enfia as mãos de novo sob o pijama da amiga, segurando um pouco mais acima nas costelas, e dando-lhe um puxão contra si procura com os próprios seios os de Tetê. Afastou a outra uns três dedos e projetando o pescoço para frente golpeou de novo, e mais uma vez. Tetê se surpreendeu a perceber que Lilica queria ganhar. Brincadeira, brincadeira, risos, risos, tudo bem, mas a Lilica queria ganhar dela. E pensou: ela não estava a fim de perder para a Lilica. Ela também queria ganhar.

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