Partiu ao tudo-ou-nada: entrançou os dedos das mãos atrás da cabeça, como quem se estende ao sol, ergueu o tronco tornando os seios bem proeminentes, deu um passo e pouco para a frente procurando projetar seu peso todo contra a amiga (pesava uns seis ou sete quilos mais que a Lilica). Atingiu a amiga uns três dedos acima de onde adivinhava eram os bicos da outra. Colocando um pé uns dez dedos na frente para maior apoio afastou-se e se projetou de novo para frente para golpear de novo. Lilica reagia afastando-se e se projetando para a frente também, procurando regular o seu ritmo com o da adversária. Os seios das duas agora se chocavam francamente, com apenas os tecidos das roupas de dormir e dos sutiãs a dar um nadinha de proteção.
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Tetê de olhos fechados sentia a dor como um flash de luz num quarto escuro. Resolveu não ligar para a dor, se deixar levar sem pensar no assunto como quem se deixa levar por um carrinho de uma montanha russa da qual não está gostando, esperando que venha quase de surpresa o final. As outras meninas riam, as duas lutadoras também. Tetê torcia para que ninguém percebesse que debaixo de suas risadas e do seu “Geeeeente, que lllooooucuraraa!” ela ocultava uns gemidinhos que estava a sentir dorzinha suficiente para dar. E foram os gemidos que fizeram a diferença: Tuquinha soltou um Ráiaiaaiiiiiiii e emendou com uma gargalhada mas Tetê farejou: a amiguinha também estava sofrendo seu pedaço. Não era invencível.
Mesmo assim Tetê só começou a acreditar quando um par de momentos depois resolveu não golpear e voltar rápido como estava a fazer, mas empurrou a outra com os seios. Sentiu que Lilica cedeu uns dois dedos, como se os músculos que faziam a junção entre suas coxas e corpo não tivessem mais a mesma força que dois minutos antes. Experimentou ainda sem acreditar. Abriu os braços e empurrou de novo. Para sua surpresa a adversária se deixou levar como cachorrinho com dois dias de nascido.
Empurrou-a, Lilica dando passos para trás, até que se surpreendeu ao ver surgir o papel azul da parede, atrás da outra. Não pensou: conduziu a adversária ate lá, sentiu-a apoiar as costas na parede, pressionou-a transformando Lilica em recheio de sanduíche.
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Lilica tentando rir olhou para Soraia, esta disse: Prensa contra a parede vale, desde que só peito-com-peito se toque e ninguém pegue na parede. Tetê para evitar problemas com a “juíza” desencostou a barriga da barriga da outra, mantendo apenas os seios em contato com o corpo da outra. Temia que Lilica tentasse escapar de lado. As duas jovens estavam agora muito juntas, Tetê podendo distinguir não só o creme dental mas até o perfuminho que a outra colocara atrás do pescoço. Os olhares de Lilica e Tetê se cruzaram. Esta não viu brincadeira na amiga, sentiu carinha preocupadinha como se só agora Lilica se conscientizasse da situação difícil na qual se encontrava.
Como confirmando isso Tetê sentiu Lilica projetar o seio esquerdo para a frente, concentrando sua energia num ataque ao seio direito da adversária. Tetê sentiu o clarão da dorzinha, a cabeça quis baquear, cedeu meia dúzia de centímetros mas não cedeu mais, Lilica avermelhando o rosto projetando o que podia o busto para a frente. Ficaram nesse impasse até que os músculos de Lilica cederam, e Tetê calmamente empurrou a amiga de volta para seu calvário na parede. Sentiu Lilica bufar um par de vezes no seu ombro, respiração alta, e juntar toda sua força no outro seio, tentando a mesma coisa. Os resultados foram ainda piores, dessa vez agüentou menos da metade do tempo e foi empurrada de volta. Tetê não podia acreditar, pela primeira vez acreditou que ganhava. E mal acreditou quando se ouviu dizer:
- Se rende?
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A resposta foram dois seios de moça avançados com fúria para a frente, pressionando os seus. Tetê surpreendida deu dois passos para trás, sua adversária conseguiu sair da parede. Mas Tetê fincou pé. Dali não tinha saída, naquele ponto ou ganhava ou perdia. Tetê fechou os olhos e procurou se distrair contando os sucessivos clarões de dor e para se animar decidiu que contaria até dez, e se até dez aquilo continuasse, ela cedia de volta ao ringue e se declarava perdedora, não tinha jeito. Mas antes que chegasse ao três os músculos dos ombros e espáduas de Lilica relaxaram.
Tetê conduziu a adversária a seu já conhecido cantinho na parede e Lilica se deixou levar com mais facilidade ainda. Pressionou como antes mas sentiu a outra relaxada, entregue.
- Se rende?
Lilica evitou o olhar de Tetê, olhando para o chão: – Me rendo, falou com voz de ratinho.
- Mais alto! – Tetê quando pensou já tinha dito.
- ME REENDOO! – gritou Lilica, fazendo Lenita botar as mãos na cabeça, “Gente, olha
meus tios!”
As duas lutadoras votaram à cama enquanto as garotas já escolhiam as próximas a medirem forças. Para Tetê aqueles seis passos entre a parede e a cama lhe pareceram os mais maravilhosos da vida, uma campeã olímpica! Sentia Lilica ao lado dela rindo escarlate, verde e principalmente amarelo para as outras. Jogaram-se na camona de barriga para cima, uma ao lado da outra. Tetê pensou e quase falou: “Como é bom vencer!” e só naquele momento lembrou que mesmo vencida a jovem Lilica deixara lembranças no corpo dela: duas dorzinhas bem intensas, uma em cada seio. Sem pensar e quase ao mesmo tempo as duas suspenderam a camisola e o pijama, botaram os sutiãs para cima e cada uma sem pensar em nada ou ninguém começou a massagear os próprios seios para aliviar a dor.
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As outras deram cotoveladinhas uma na outra chamando atenção para a cena. Soraia abanou a mão:
- Faz parte, é briga. Agora, quem quer apanhar de mim?

